Jovens Criadores 2009

Photoblog // Tânia Araújo

A Oficina de Fotografia/DAS/CMLe o Movimento de Expressão Fotográficaconvidam para a abertura da exposição Paisagens do Ventodia 2 de Julho às 17h30mno Palácio de Santa Catarina (Rua Marechal Saldanha, Miradouro de Santa Catarina, Lisboa)Tânia Araújo é natural de Lisboa, onde nasceu em 1980. No seu trabalho fotográfico de autor, encontramos dois caminhos perfeitamente distintos em termos temáticos que uma vez analisados pormenorizadamente, nos revelam diversos pontos em comum.
Em “Cidades anónimas”, trabalho realizado em (e sobre) os bairros periféricos da Cidade, a autora trabalha a complexidade das pequenas narrativas em torno da questão do anonimato provocado por estes espaços urbanos.Nesta abordagem, Tânia Araújo aponta-nos um caminho sobre o anonimato enquanto uma espécie de “voyeurismo”, reflectido pela distância a que as imagens são realizadas, numa atitude assumida de distância física, sentimento reforçado pela luz do fim de tarde e pelo isolamento dos edifícios. A inexistência da presença humana faz com que se estabeleça um diálogo sem qualquer focalização espacial, permitindo-nos assim a construção de um entendimento à escala global.
Sem a mesma carga de anonimato, mas procurando igualmente uma reflexão sobre a identidade urbana e sobre a arquitectura de espaços numa cidade, encontramos em “Horas que passam sem ninguém ver”, uma abordagem a zonas industriais onde, camuflada pelas luzes nocturnas, a autora permite-nos questionar a complexidade sociocultural em torno dos espaços habitados.
Dentro do campo da encenação, Tânia Araújo oferece-nos “Metamorfoses do corpo”, trabalho em que o “voyeurismo” possui um carácter muito mais intimista, realizado numa abordagem muito mais pessoal, trabalhando o anonimato do corpo feminino enquanto espaço cénico. A faceta performativa da autora ganha uma presença de enorme relevo ao ponto de quase se sentir a presença física da autora também retratada. O corpo encontra-se em plena metamorfose, não se trata de aceitá-lo como ele é, mas sim de transformá-lo e reconstruí-lo numa incorporação do corpo no espaço, ganhando este uma identidade única.Constatamos assim, uma linha transversal nos projectos de Tânia Araújo: a abordagem ao anonimato seja ele comunitário através dos espaços urbanos, seja ele mais pessoal, onde a interpretação do corpo acaba por nos dar uma espécie de reflexo da própria autora, como se de um espelho se tratasse.
Texto: Luis Rocha


Hoje, dia 18 de Agosto de 2008 o MEF esteve representado por Tânia Araújo em directo na Rádio Clube com o Projecto Tecer a Cidade.
Durante o mês de Maio tive o enorme prazer de participar neste fabuloso projecto que é o FATAL - Festival Anual de Teatro Académico de Lisboa. Foi um grande prazer estar a fotografar e a trabalhar com os 19 alunos que participaram neste Workshop de fotografia de cena, fazer este trabalho em conjunto com o meu grande colega de trabalho Luís Rocha e para finalizar agradeço a toda a equipa do FATAL a possibilidade de realização deste projecto.
Espectáculo no Teatro A Barraca a estrear brevemente. Fotografia do cartaz de minha autoria.
Hoje parece que estava novamente a fotografar esta cena. Passei perto desta rua e lá estavam eles a fazer o seu trabalho. Ouvi do cimo das árvores, "Jovem, então hoje não trazes a máquina", sorri para eles ao mesmo tempo que faziam um gesto de uma máquina fotográfia a carregar no botão disparador.
Disparei com os olhos...foi bom voltar a encontrar estás pessoas e perceber que faço parte do seu quotidiano...

Voltei a ir para S. Tomé, desta vez em trabalho. Estive um mês a viver noutro paìs do qual já me tinha adaptado à nova rotina. Levantar às 5h:30m da manhã, muito calor, dormir com rede mosquiteira, não beber àgua da torneira e ter cuidado com os mosquitos. Mas houve outras coisas, ao qual me habituei, novas para mim...ter cães em casa.
Sempre evitei de ter animais domésticos, são uma prisão, temos que tomar conta deles e dar-lhes atenção. O que acontece, quando nos habituamos a tê-los "obrigatóriamente" é que são eles que nos dão atenção e nos fazem companhia.
Era o caso da Scooby, mal abria a janela lá estava ela a olhar para mim, mal entrava em casa corria como louca, saltava para cima de mim e sujava-me toda, ao ponto do qual quando isso não acontecia eu já ficava preocupada.
A Scooby era a cadela da vizinha que foi uns tempos viver para a casa amarela onde fiquei instalada em S. Tomé. Em pequena parecia um cão por isso lhe puseram este nome.
Por incrível que pareça, tenho uma fotografia dela, pois eu e o Rocha temos um grave problema como fotógrafos nunca fotografamos as pessoas que conhecemos, gostamos, encontramos, ficam na nossa memória fotográfica, as lentes são os olhos, o fotograma a memória.
Voltei para Portugal, sinto-me vazia, todos os amigos estão a ir embora... S. Tomé ainda é um país virgem, genuíno...tenho saudades...
Na madrugada de dia 12 de Janeiro, soube que a Casa Amarela foi assaltada na noite que fomos embora e que a Scooby e o Sul, o outro cão da casa foram mortos. Nessa mesma noite fui assaltada em casa a dormir...
Os valores estão a morrer, as pessoas a fugir, eu e o mundo estamos tristes.
Fica no meu coração a Scooby, que protegia a casa como bom cão de guarda, que nos acarinhava sempre que podia, que nos mimava...









Amigo...amigo... foi a frase que diariamente me acompanhou ao longo desta magnífica e ao mesmo tempo dolorosa viagem que fiz à Ilha de S. Tomé.
Além desta frase houve outras como "Branca...branca..." ou "Doce...doce...dá-me doce amigo", são crianças maravilhosas que foram bombardeadas por doces, dinheiro e outras coisas que os levam a quando encontram um turista a pedir.
A viagem foi magnífica pela aprendizagem que tive ao longo de 15 dias na selva a valorizar todos os minutos, os sons, as plantas, o sol, a noite a comida que tinha, tudo...
A parte dolorosa foi o encontrar um povo ainda oprimido pelo passado, com dificuldades alfabéticas, com dificuldades de integração, pouco empreendedores. Um povo perdido no oceano. Com o passar dos dias percebemos que dentro da sua desorganização eles organizam-se à sua maneira, ao qual nós não estamos habituados. São pacíficos e amigos com o passar do tempo, pois inicialmente não dão qualquer confiança.
Quero voltar por eles, pelo ar que se respira, pela natureza, pelo côncon, pelo búzio do mato, pela omolete com ervas micôcô, pela piroga, pelas roças, pela barriga de peixe no contentor, pelos coqueiros, por querer dar algo que possa ajudar no futuro de tantas crianças que nascem sem rumo.


Este projecto envolve ex-alunos dos Cursos Avançados e do Núcleo de Fotografia da Oficina de Fotografia, fotógrafos e população local numa exploração dos espaços, vivências e memórias da freguesia de Marvila, pretendendo – ao mesmo tempo que fomenta a continuidade e o desenvolvimento do trabalho fotográfico de ex-alunos da Oficina - possibilitar à população local o contacto com a fotografia, apresentar e afirmar a fotografia enquanto forma de observação e exploração do quotidiano, desenvolver a expressão artística e cultural através da fotografia, aperceber e fomentar redes sociais, permitindo uma melhor integração da Oficina de Fotografia no tecido social em que se insere e o estabelecimento de pontes para posteriores actuações.